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22/09/2025
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22/09/2025O dólar apresentou alta moderada nesta segunda-feira (22), na contramão do comportamento predominante da moeda americana no exterior. Investidores adotaram uma postura cautelosa diante da possível escalada das tensões entre EUA e Brasil na véspera do discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na Assembleia Geral da ONU.
No fim da manhã, o governo norte-americano anunciou sanções à esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky. Viviane Barci de Moraes terá eventuais bens nos EUA bloqueados. A administração Trump também revogou vistos americanos do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de outras autoridades do Judiciário brasileiro.
No momento de maior estresse, em meio ao impacto do anúncio das sanções, o dólar à vista superou o nível de R$ 5,35 e registrou máxima de R$ 5,3660. Ao longo da tarde, com o aprofundamento das perdas da moeda americana no exterior e a avaliação de que as ações dos EUA estão, por ora, limitadas a certas autoridades, a divisa se afastou das máximas.
Após operar ao redor dos R$ 5,33 nas últimas horas da sessão, o dólar à vista encerrou em alta de 0,32%, a R$ 5,3381. Foi o quarto pregão consecutivo de avanço da moeda americana, após o fechamento abaixo de R$ 5,30 no dia 16, véspera da superquarta, marcada pelo primeiro corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em 2025. O dólar ainda recua 1,55% em relação ao real em setembro, o que leva as perdas no ano a 13,63%.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que recebeu “com profunda indignação” as sanções à esposa de Moraes, ressaltando que o uso da Lei Magnitsky simboliza uma “nova tentativa de ingerência indevida em assuntos internos brasileiros”. O governo dos EUA já havia alertado na semana passada que haveria reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
Em publicação na rede social X, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que as sanções à advogada Viviane Barci servem de alerta a quem ameaça os “interesses dos EUA protegendo e habilitando atores estrangeiros como Moraes”.
Lá fora, o índice DYX – que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes – operou em baixa moderada ao longo do dia e girava ao redor dos 97,330 pontos no fim da tarde, perto da mínima da sessão, aos 97,309 pontos. A moeda americana caiu frente à maioria das divisas emergentes, mas apresentou leve alta em relação aos peso mexicano e chileno, pares do real.
Dirigentes do Fed adotaram posturas distintas em relação à condução da política monetária, após a redução de 25 pontos-base na taxa básica americana na última quarta-feira, 17. O presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, pregou cautela e disse ver “espaço limitado” para cortes adicionais dos juros. Indicado recentemente por Donald Trump, o diretor do Fed Stephen Miran – que votou por corte de 50 pontos-base na semana passada – afirmou que os juros deveriam estar aproximadamente entre 2% e 2,5%.
A perspectiva de um dólar globalmente mais fraco, com apostas em três cortes de juros pelo Fed neste ano, levou o BTG Pactual a reduzir a projeção da taxa de câmbio para o fim deste ano, de R$ 5,40 para R$ 5,20, e de 2026, de R$ 5,60 para R$ 5,50.
Ibovespa tem leve realização de lucros após série de recordes na semana passada
O Ibovespa iniciou a semana em leve correção após uma série de renovações de máximas históricas no intervalo anterior, que o colocou aos 146 mil pontos no intradia. Nesta segunda-feira, o índice conseguiu reter os 145 mil pontos no fechamento, contendo perdas que chegaram a superar 1% mais cedo na sessão. No fim da tarde, o governo americano também confirmou a imposição de novas restrições de vistos a autoridades brasileiras, sem especificar nomes.
No fechamento, o índice da B3 mostrava baixa de 0,52%, aos 145 109,25 pontos, entre mínima de 144.117,01 e máxima de 145.863,86 pontos na sessão, correspondente ao nível de abertura. O giro financeiro foi a R$ 20,6 bilhões nesta segunda-feira. No mês, o Ibovespa avança 2,61% e, no ano, tem alta de 20,64%.
Para além do noticiário político, a segunda-feira reservou poucas novidades, na agenda econômica. Destaque apenas para o Boletim Focus, que trouxe arrefecimento na estimativa do IPCA suavizado para 12 meses à frente, a 4,36% (de 4,43%) – aquém do teto da meta, de 4,50%. Por sua vez, a projeção para 2025 seguiu em 4,83% e a de 2027 – foco da política monetária, na medida em que o primeiro trimestre de 2027 é o horizonte relevante -, manteve-se em 3,90%, assim como a expectativa para a Selic ao final de 2025, ainda a 15% ao ano, no mesmo nível em que está, hoje.
Na terça, a agenda de dados econômicos ganha tração, a começar pela ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na terça e quarta-feira passada. A agenda da semana reserva também outros pontos altos, como o IPCA-15 de setembro e o Relatório de Política Monetária (RPM), no Brasil. Lá fora, atenção para o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e o índice PCE, métrica de inflação ao consumidor preferida do Federal Reserve.
Na B3, a moderação das perdas do Ibovespa ao longo da tarde foi assegurada pelo desempenho do carros-chefes das commodities, Vale (ON +0,14%) e, em especial, Petrobras (ON +1,07%, PN +1,00%). Os bancos mitigaram as perdas vistas mais cedo, quando voltaram a ficar no foco dos investidores ante novas movimentações do governo americano para sancionar o Brasil e autoridades do País, ainda na esteira da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. As perdas entre as maiores instituições ficaram entre 0,51% (Banco do Brasil ON) e 1,44% (Itaú PN) no fechamento. Bradesco, por sua vez, conseguiu se descolar e encerrou em alta de 0,26% na ON e de 0,17% na PN.
Na ponta ganhadora do Ibovespa, Embraer (+4,63%), após a notícia de que Latam Airlines e afiliadas assinaram um acordo para aquisição de até 74 aeronaves da fabricante. Logo depois, na lista das vencedoras, aparecem WEG (+2,09%), Rumo (+2,05%) e Brava (+1,13%). No lado oposto, Cosan (-18,13%), depois de entendimento para aporte de R$ 10 bilhões pelo BTG e a Perfin na empresa. Também na ponta perdedora na sessão, Raízen (-7,75%), BRF (-5,38%), Natura (-4,97%) e Marfrig (-4,61%).
*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Nátaly Tenório
Fonte: Jovem Pan Read More




